Solidão não se cura com aspirina


Passaram se dias e meses, mudou-se a estação, pessoas atravessaram nosso caminho, experiências tomaram conta da nossa rotina, você está em outras e eu mastigo o passado como se fosse um presente, minha alma é velha mais meu corpo anseia pelo novo, querido, talvez não se lembre da nossa última noite, quando selei o adeus com um abraço, um simples dar de braços que deixou em mim uma marca do seu cheiro, seu jeito e poderia ter sido um beijo mas eu não queria um ponto final, queria reticencias, virgulas, dois pontos qualquer coisa que fizesse continuar essa façanha.


Eu sobrevivo de expectativas e sonhos, você não me conhece, não sabe de onde vim, o que eu gosto de fazer nem os meus objetivos, você me rotulou com um nome e uma personalidade que não é minha e eu permiti que você me desenhasse, porque eu queria ser o que você esperava, sem imaginar que você nunca esperaria nada, estar comigo não estava nos seus planos, mesmo que fosse só para os momentos de solidão e carência.

Hoje não sei quem é você, rotulo-te com um nome e uma ideia do que eu queria que fosse nós, porque eu sempre penso nos outros antes de mim, dizer não nunca foi parte do meu dicionário, eu preciso de uma história, seja sobre amor ou esperança, e esse texto não é sobre você não ter ligado no dia seguinte, é sobre as marcas que eu tenho no meu corpo, marcas evidentes que me lembram todos os dias como poderia ser diferente, mas nunca será, não deve ser. E agora vivo manchada por algo que nunca será nós, nem amor, nem tristeza, nem felicidade apenas um abraço de adeus.


0 comentários:

Postar um comentário

 
Layout feito por Adália Sáe Modificado por Beattriz Simas | Não retire os créditos